13 de maio de 1888, por Edenice Fraga

13 DE MAIO DE 1888, DIA DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NO BRASIL.

POEMA COM REFLEXÃO: OS NEGROS LIBERTOS RECEBERAM PROPRIEDADES?…SALÁRIOS?EDUCAÇÃO?…EMPREGO?…RESPEITO?…COMIDA?…

A HISTÓRIA DO ESCRAVIZADO NO Brasil

Ditoso guerreiro, rei de altiva aldeia
Que no solo da África se encontrava.
Corria na várzea, que a brisa campeia.
Sua tez escura, no sol ardente brilhava.

Mirado por homens armados na mata
Traído por aqueles, que já defendeu,
Trocado no escambo, por coisas por prata,
O nobre guerreiro a liberdade perdeu.

Findou-se a alegria e o sorriso derradeiro,
O homem branco ao jovem negro rendeu,
Levou-lhe açoitado, pra dentro do tumbeiro.
Ali se enterrou um livre e um escravo nasceu.

Trazido para América no porão escuro
Com fome e sedento, entre seus iguais.
Ouvia as lamúrias e o choro tão puro,
De homens, mulheres e crianças sem pais.

Na longa viagem, no fundo do fétido navio,
Escravos morriam no banzo e na saudade.
Seus corpos eram lançados, ao mar bravio
E levados pelas ondas, ganhavam a liberdade.

O oceano ao navio negreiro balançava
Mas vagarosamente, parou de navegar,
Era a viagem que ao seu fim chegava:
O escravo ao Brasil acabava de chegar.

O negro, com grilhões , era então açoitado
Forçado a servir a um dono e seu senhor.
Foi trocado por coisas no rude mercado
E estampava na face a revolta e a dor.

Em uma noite sem lua, lutou capoeira
E o Capitão do mato ele assim dominou.
Soltou outros negros, da senzala na beira.
Fugiu pra densa mata e Palmares fundou!

É Ganga Zumba, o nome do líder… pioneiro.
Mas Zumbi, foi o herói que a Palmares liderou.
Pois ele lutou e morreu pra salvar do cativeiro,
O homem africano, que a América escravizou.

Três séculos se passaram e ao negro servil,
O homem abolicionista também se juntou.
Foi quando a Lei Áurea assinada no Brasil,
Abriu as portas das senzalas e ao negro libertou.
A lei que deu a liberdade tão sonhada
Não deu ao negro livre a propriedade.
Este saiu da senzala levando o seu nada,
Tinha apenas consigo, a fé e a dignidade.

….O Silêncio fica profundo demais…
E entoa-se uma voz a questionar:
-Vó, por que me contas essa história?
…Eu Fico triste só de te ouvir falar.
-Minha neta, é para manter na memória,
Aqueles que morreram para nos libertar !

Edenice da Cruz Fraga

Ten Cel da Reserva Remunerada da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina

Integrante da Academia de Letras dos Militares Estaduais de Santa Catarina

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